Introdução

 

Quem são os autores destes textos somos nós, mas quem somos nós não interessa... como também não nos interessa quem és... ou melhor, não interessa quem somos... na realidade, o que interessa é saber o que somos... não te dês ao trabalho de pensar... porque a conclusão final seria uma loucura... o final de tudo para o início do nada... A coragem inicia onde o medo termina e o medo inicia onde a coragem termina... mas será que existe coragem e medo? Coragem de quê? Medo de quê? De tudo? O que é o “tudo”? De nada? O que é o “nada”? A existência...
O que é a existência? A morte? O que é a morte? Não seria a morte o início da vida? Ou seria a vida o início da morte? ...
A tua mente confusa não sabe o que procura... porque o que procuras confunde a sua mente...e nasce o terror. O terror da morte, o terror da dor, o terror do outro mundo... não existe o terror, mas, no entanto, o terror aprisiona-te... o que é terror? Ahhh...

Talvez seja isso que estas histórias te queiram ensinar…

 

 

 

 

 

 

Adoro gatos!

 

Era uma vez menina, uma linda menina de 3 anos, chamava-se Alexandra, o seu pai tinha sido assassinado quando Alexandra tinha apenas 2 anos de idade, nunca se chegou a saber quem foi o seu assassino.

Já há alguns meses que pedia à sua mãe para a deixar acolher um gato abandonado, que todos os dias passeava à porta da sua casa, era o seu maior desejo, mas a mãe não atendia ao seu pedido. Certa noite a menina olhou pela janela do seu quarto, e lá estava o gato, sem hesitar saiu pela janela e correu atrás dele o mais que consegui… o gato desceu um caminho escuro, Alexandra tinha medo, mas só pensava em apanhar o gato e levá-lo para casa, desceu o gato entrou numa gruta, era mesmo perto de sua casa, mas no entanto nunca a tinha visto.

Ao fundo da gruta estava o gato chegando-se perto dele, de braços abertos, pronta a apanhá-lo, disse: “apanhei-te!”

No outro dia a mãe foi ao seu quarto, procurou a filha, mas não a encontrou, mas no tecto estava escrito com sangue: “eu é que finalmente te apanhei!”

A mãe assustada procurou a filha, mas não a encontrou! Apavorada ligou para o 112, mas do outro lado do telefone ouvia a voz da filha dizer: “mãe deixa-me ficar com o gatinho, adoro gatos, por favor mãezinha…”

Sem coragem de dizer uma única palavra deixou o telefone. Correu toda a aldeia gritando pelo nome da menina. Mas sem qualquer resposta!

Encontrou um caminho perto da sua casa que nunca tinha visto antes, decidiu descer, lá estava a gruta… entrou e sentindo-se a desmaiar, cambaleou até à parede oposta. E então viu o cadáver de Alexandra, já em adiantado estado de decomposição, e coberto de sangue coagulado, erecto e exposto aos olhos da sua mãe.

           Foi então que olhando sobre o seu lado esquerdo viu o gato, que num acto de ternura lambeu a mão do cadáver de Alexandra que se levantou linda como todos os outros dias e já sem qualquer aspecto mórbido, nesse preciso momento e olhando fixamente para a sua mãe gritou: “mãe deixa-me ficar com o gato ou também te acontece o mesmo que aconteceu ao meu pai! Eu adoro gatos!”

           A sua mãe não respondeu... foi encontrada dias depois morta em sua casa, Alexandra passou o resto da sua vida (ou da sua morte, nunca se soube ao certo) correndo atrás seu gato…

 

 

 

 

 

 

Noite de surpresas

 

 

 

Joana tinha 22 anos, para ela era um absurdo, ficar ali, na companhia das suas músicas, vinho, livros, pc... sozinha não tem sentido. Faltava-lhe calor, alguém para compartilhar e dividir aquela noite maravilhosa.

Observava a lua da sua janela, alguma coisa a estava a chamar para a rua...para a noite, e ela não pode recusar, não quês recusar.

Eram mais ou menos onze da noite quando decidiu então ir para boate já conhecida. Banho, maquilhagem, roupas, essências, apetrechos diversos...

E já passava da meia-noite…

Próxima da discoteca via as ruas desertas. Mas achou que fosse culpa do mau tempo. Nem toda a gente sai de casa a meio de uma tempestade. As ruas estavam vazias...Normalmente estavam cheias de carros turbinados, com os rádios altos, homens bêbados e algumas pessoas que apenas queriam uma noite mais divertida do que num apartamento vazio e frio.

Parou à porta da discoteca mas não estava ninguém... nenhum segurança, cliente, bêbado, drogado, nada. Apenas uma placa que dizia: “Caça aos Vampiros Hoje!”

“Vampiros? Eles estão malucos? Deixar tudo aberto e sair à procura de vampiros?” Muitas perguntas pairavam na sua mente… “é melhor ligar a um conhecido atrás de respostas” pensou ela, encontrou uma cabine telefónica e caminhava em direcção a ela. Porém enquanto caminhava, começou a sentir uma estranha sensação de que estava a ser seguida... observada, mas alguma coisa lhe diz que é melhor fingir que nada aconteceu.

Continuou até à cabine e apoiou a sua bolsa para procurar a agenda, não demorou muito para voltar a sentir aquela sensação de que estava a ser vigiada, mas, fingiu não sentir presença alguma. Sentiu respiração na sua nuca, um perfume estranho e uma voz sublime e hipnotizante a dizer-lhe que o seguisse.

Foi puxada e guiada por uma mão masculina, forte, quente, macia, que lhe fez esquecer a bolsa, a ligação, as ruas desertas e principalmente do possível perigo que podia estar a correr.

Tonta e sem entender o que estava a acontecer, não ofereceu resistência e simplesmente o acompanhou, quieta e calada como uma boa menina.

Quando deu por si já estavam dentro da discoteca, que estava vazia. Mesas vazias, bar vazio, pistas sem corpos suados a dançar...

Ele deixa-a sentada no bar e passa para o lado de dentro, e prepara uma bebida. Mas ela ainda não conseguiu entender porque não fez nada, porque estava sem reacção. Ele era alto, jovem, não devia ter mais do que 25 anos, tinha um corpo magro, porém atlético, usava roupas negras, correntes que brilhavam um bocado, cabelos levemente encaracolados e um pouco compridos que lhe caiam no rosto, que ele mantinha baixo já há muito tempo, concentrado nas bebidas que preparava.

- Acalme-se! – Disse-lhe ele -Logo eles vão ver a loucura que fazem, logo vão ver que isso é uma grande tolice... que é impossível caçar vampiros!

- Por que é que diz isso?  – Perguntou ela.

- Porque... não sei bem…

Ele encostou-se mais para perto do seu rosto e tocou a com as suas mãos.

- Acreditas em vampiros, rapariguinha?

- Claro! Tu não?

Ele beijou-a... Ficou ali com ele sentindo cada toque dos lábios dele nos seus… os doces lábios quentes dele deixam os desejos fluírem, carinhosamente ela encaminhou os lábios para o pescoço dele e finalmente saciou a sua sede até que a pele quente dele ficou gelada e embranquecida. Largou o corpo no chão e voltou para casa.

 

 

A noite é linda e cheia de surpresas...

Histórias aterrorizantes